Ágere - Cooperação em Advocacy

Notícias

Mulheres indígenas denunciam brutalidade policial
Sem mandado judicial, operação policial deixou inúmeros feridos, incluindo duas crianças de 2 e 4 anos

(Fonte: Justiça Global)

As Mulheres Indígenas do Acampamento Indígena Revolucionário (AIR), do Foro de Organizações Feministas Latino-americanas y Caribenhas e as Mulheres Indígenas do Conselho Nacional de Mulheres Indígenas vêm a publico manifestar o seu repúdio a truculenta ação ocorrida na manhã do dia 10 de julho de 2010, quando uma violenta, irregular, arbitrária, ilegal e etnocida operação policial a mando do GDF, contando com forças do BOPE, Força Nacional, Policia Federal, Policial Civil, Batalhão de Choque Rotam, PM do DF e Cavalaria da PM do DF, cumprindo solicitação da AGU (Advocacia Geral da União) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), atacou o Acampamento Indígena Revolucionário – instalado na Esplanada dos Ministérios, em protesto pacifico contra o decreto 705609, que extingue Postos Indígenas e Direitos adquiridos, e pedindo exoneração do presidente da Funai, Marcio Meira – no amanhecer, enquanto homens, mulheres, idosos e crianças ainda dormiam.

Sem mandado judicial, a operação deixou inúmeros feridos, incluindo duas crianças de 2 e 4 anos, que foram removidas para os hospitais HMIB e HRAN – por conta dos efeitos do gás pimenta. Uma menina de 12 anos foi brutal e covardemente atingida com um jato de gás pimenta no rosto por um oficial do BOPE (o que ficou gravado no celular). Uma militante agredida pelos policiais, grávida de 3 meses, abortou. Uma mãe de família foi arrastada pelas pernas para fora de sua barraca e agredida verbal e fisicamente.

A operação policial destruiu as barracas e recolheu roupas, panelas e comidas dos acampados – o que pode ser caracterizado como FURTO – no intento de dificultar a vida dos manifestantes e forçar sua saída da Esplanada dos Ministérios, pleito do Palácio da Justiça ha mais de seis meses.

Apoiadores ficaram detidos sem acusação, sendo que um desses, gravemente adoentado e precisando tomar antibióticos, teve o seu direito a atendimento médico negado pelo delegado da 5ª DP. Os responsáveis pela divulgação midiática do Acampamento Indígena Revolucionário (AIR), gravando, fotografando e divulgando os eventos, foram os primeiros a ser algemados e detidos, só sendo liberados apos o termino da operação policial – sendo que um desses recebeu sua câmera de volta danificada e sem a fita com o registros das violências que comprometem as corporações policiais envolvidas.

Pelo que foi ouvido de um oficial do BOPE, havia a determinação expressa de que não se filmasse nada. Militantes ficaram detidos sem acusação formal, apoiadores foram ameaçados.

O Governo ilegítimo do DF age como um Estado Policial a serviço do Ministério da Justiça e do Gabinete Pessoal do Presidente Lula, que forçam uma queda de braço com as populações indígenas brasileiras ao se recusar a discutir o fim do decreto e a exoneração de Marcio Meira.

A indígena vitimada por um aborto, provocado pela brutalidade policial, teve a sua condição de gestante negada pelo médico do Hospital de Base por conta da pressão da servidora Joana, da FUNAI – apesar dela contar com exames pré-natais que comprovam a gravidez, o médico se recusou a assinar o laudo. O Instituto Médico Legal encenou uma farsa, com a perícia não fotografando nem relatando os hematomas e demais lesões de um rapaz Tupinambá, ferido e torturado em sua passagem pela 5ª DP, quando – com pés e mãos algemadas – recebeu golpes de cassetete e jatos de spray de pimenta no rosto, a pedido do ouvidor da FUNAI e membro do CNPI (Conselho Nacional de Política Indigenista), Paulo Pankararu, e seu subalterno, Ildert.

O subalterno da FUNAI, usando óculos escuros, boné e casaco, como se fosse um ladrão que quisesse se esconder, assessorava a sanha etnocida dos policiais na 5ª DP, afirmando que as bordunas recolhidas – que são um traço e diferenciação cultural das etnias acampadas – eram porretes comuns (armas brancas), afim de caracterizar uma suposta propensão a violência dos membros do Acampamento Indígena Revolucionário, negando a condição de indígenas aos manifestantes, fotografando apoiadores do AIR que entravam na delegacia como forma de intimidar e confraternizando alegremente com os torturadores.

O ouvidor da FUNAI, ao invés de ouvir as reivindicações dos indígenas – ou ao menos as queixas dos manifestantes nativos, que foram algemados e feridos – se limitava a cruzar os braços e rir com seu subalterno.

Hoje, dia 11 de julho de 2010, está no ar uma nota oficial da FUNAI que nega aos manifestantes do Acampamento Indígena Revolucionário a condição de indígenas, dizendo que não pertencem a qualquer etnia nativa, apesar dos militantes do AIR, em sua grande maioria aldeados, possuírem língua, crenças, cultura e genealogia originárias – além do reconhecimento expresso do órgão, na forma de carteira de identidade emitida pela Fundação Nacional do Índio.

Nós, Mulheres Indígenas do Acampamento Indígena Revolucionário, exigimos do Governo do DF e do Governo Federal a imediata devolução dos pertences apreendidos e total assistência ao feridos na ação policial do dia 10 de julho de 2010. Nós exigimos uma ação responsável por parte do Governo Federal, representados por FUNAI e Ministério da Justiça, no sentido de dar uma atenção especial as reivindicações do AIR, expressas na Carta Aberta ao Povo Brasileiro e nos 11 Pontos do Acampamento Indígena Revolucionário, além das exigências particulares de cada uma das mais de 20 etnias representadas no Acampamento Indígena Revolucionário (AIR) há sete meses.

Nós, Mulheres Indígenas do Acampamento Indígena Revolucionário, exigimos o fim da violência – física, moral e institucional – contra nossos Povos, tanto na Esplanada dos Ministérios quanto nas mais diversas Terras Indígenas (Tis) do Brasil.

http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=360455

19/07/2010 02:53:52



OUTRAS NOTÍCIAS

Título Data/Hora
Priorizar, indicar, monitorar e envolver: os desafios para o PNDH 3 03/09/2010 09:33:41
Encontro online contra o trabalho infantil abre inscrições 03/09/2010 09:28:25
Inesc lança estudo sobre o Pronasci 03/09/2010 09:27:46
Inclusão e Acessibilidade em debate durante evento promovido pela Escola de Gente 01/09/2010 08:51:55
Denúncia: MP investiga orçamento do GDF destinado às mulheres 30/08/2010 08:31:43
Tuberculose, cidadania e direitos humanos são temas de seminário em Brasília 30/08/2010 08:26:07
Adolescência e violência são estudados e debatidos em congresso internacional 30/08/2010 08:24:02
UNESCO lança publicação sobre educação no século XXI 27/08/2010 10:09:19
Termina o II Encontro Regional Mulheres Indígenas na BA 27/08/2010 10:04:01
DF: Despejo de vítimas de violência doméstica e sexual de abrigo é questionado 27/08/2010 10:01:49
Sociedade civil assume Pacto pela Juventude 26/08/2010 10:01:03
Carta aberta de professores defende cotas na UFRJ 26/08/2010 09:58:18
SOS Corpo promove Encontro de Formação sobre violência contra as mulheres e contexto urbano 26/08/2010 09:54:20
Casa-Abrigo do DF: Por mim, por nós e por todas!!!! Exigimos já! 25/08/2010 10:03:43
Educação lidera reivindicações de juventude sul-americana, mostra Ibase 25/08/2010 09:57:44
Representante da ONU apela para que governos invistam na formação de jovens 25/08/2010 09:55:05
IRÃ DAS MULHERES: Crueldade sem fim 24/08/2010 09:49:22
Empresas se comprometem a combater a exploração sexual de crianças e adolescentes 24/08/2010 09:42:11
Congresso mostra novidades tecnológicas para pessoas com deficiência 24/08/2010 09:39:21
Garantia do direito humano à alimentação 23/08/2010 09:52:02
Organizações do Pará realizam VI Encontro de Mulheres Negras Quilombolas 23/08/2010 09:50:06
Família e escola: parceria eficaz na prevenção e combate aos abusos na internet 23/08/2010 09:46:27
Educar sem bater é possível 20/08/2010 11:35:06
Sem direito de ser criança 20/08/2010 11:33:00
Para defensores públicos, sociedade confunde infrações juvenis com crimes de adultos 20/08/2010 11:27:43
V Curso Anual de Direitos Humanos 19/08/2010 09:45:17
Especialista defende capacitação em direitos humanos para formação de professores 19/08/2010 09:42:45
Conflito em torno do cumprimento de direitos humanos é inevitável, diz filósofo argentino 19/08/2010 09:40:26
Setor privado é chamado a participar na recuperação de menores infratores 18/08/2010 09:59:02
Caravana da Anistia julga processos no Seminário de Direitos Humanos 18/08/2010 09:54:45
Abaixo assinado pela libertação das sete lideranças bahá´ís condenadas no Irã 18/08/2010 02:48:03
RACISMO: É como se acontecesse tudo de novo, diz vigia agredido em mercado 17/08/2010 09:51:15
Paginação: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
Ágere Cooperação em Advocacy - SHIS QI 11 BLOCO M SALAS 101 a 105 LAGO SUL BRASÍLIA - DF 71625-205 Tel. 55 (61) 3248-4742